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Denúncias de trabalho escravo no Brasil atingem recorde histórico em 2025

O aumento de 14% nas denúncias em 2025 reflete a maior conscientização social e confiança no Disque 100. Com 2.772 resgates realizados pelo MTE, o Brasil atingiu o maior patamar de registros da série histórica iniciada em 2011, mobilizando fiscalizações em todo o território nacional.Recorde histórico e balanço das denúncias

O Disque Direitos Humanos – Disque 100 encerrou o ano de 2025 com 4.516 denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão, o maior volume já registrado desde o início da série histórica em 2011. O número representa um crescimento de 14% em relação a 2024, quando foram contabilizados 3.959 atendimentos vinculados a essa violação.

Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quarta-feira (28), o país alcançou a marca de 26 mil denúncias acumuladas desde 2011. O balanço de 2025 coincide com os 30 anos do reconhecimento oficial da escravidão contemporânea pelo Estado brasileiro, resultando no resgate de 2.772 pessoas em 1.594 ações fiscais, que garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias.

Fiscalização e o maior resgate do ano

A maior operação de 2025 ocorreu entre os meses de julho e outubro, resultando na libertação de 586 trabalhadores em uma usina de etanol localizada em Porto Alegre do Norte (MT). A fiscalização foi desencadeada após um incêndio nos alojamentos, onde auditores constataram superlotação, ausência de água e energia, além de condições precárias de higiene. Os relatos colhidos pelo MTE apontaram jornadas exaustivas de até 16 horas diárias, inclusive aos domingos.

Para o coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Paulo Cesar Funghi, os números confirmam a persistência do crime. "O Disque 100 tem papel central nesse processo ao qualificar o recebimento das informações e encaminhá-las aos órgãos competentes, contribuindo para a responsabilização dos envolvidos e para a garantia de direitos às vítimas", destacou.

Panorama regional e canais de atendimento

Em termos de volume de queixas, o estado de São Paulo liderou o ranking nacional com 1.129 registros, seguido por Minas Gerais (679) e Rio de Janeiro (364). Já no recorte de trabalhadores resgatados, o Mato Grosso figurou no topo da lista com 607 pessoas libertas, seguido pela Bahia (482) e Minas Gerais (393). As denúncias abrangem desde casos de trabalho escravo infantil até servidão por dívida e restrição de liberdade.

A coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze, aponta que o aumento dos índices reflete uma população mais consciente. "A elevação dos números evidencia uma população mais consciente e menos receosa de denunciar, especialmente por se tratar de um canal sigiloso, que também presta informações e orientações", afirmou. O serviço funciona 24 horas por dia e pode ser acessado pelo telefone 100, WhatsApp (61) 99611-0100 ou pelo site do Ministério.

Memória e justiça no combate à exploração

O anúncio dos dados ocorre no Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, instituído em memória aos auditores assassinados em 2004 na "Chacina de Unaí". Em janeiro de 2025, o mandante do crime, Norberto Mânica, foi preso. Durante o evento de divulgação dos dados, o governo também aprovou a terceira edição do Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (PNETE), visando fortalecer o monitoramento e a repressão a essas práticas no Brasil

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