Solidariedade salva móveis e famílias durante cheias na Quarta Linha
As fortes chuvas que atingiram o Sul catarinense na última segunda-feira (21) deixaram um rastro de apreensão e prejuízos em na região. Vários bairros em diversas cidades registraram alagamentos expressivos, forçando famílias a deixarem suas residências.
Em Criciúma, segundo a Defesa Civil, os bairros mais impactados foram Rio Maina, Vila Francesa, Monte Castelo, Boa Vista, Paraíso, Pinheirinho, Cidade Mineira e Imperatriz.
No bairro Quarta Linha, alagamentos foram registrados especificamente no loteamento Jardim Itália, nas imediações do Ceim Santina Dagostim Salvador, abrangendo as ruas Pedro Honorato e Cléber Luiz Conti, e nas proximidades da Escola José Rosso, nas ruas 1137 e Gerson Luiz Venson.
A mobilização popular foi o principal meio encontrado para minimizar os estragos provocados pela subida rápida das águas. Conforme relatado pelo morador Fernando Tavares, que atuou diretamente no socorro aos afetados, a água começou a invadir a região por volta do meio-dia. “Quando eu vi o rio, a água já estava saindo da calha”, afirmou Tavares. Diante da urgência, o morador iniciou uma corrida contra o tempo para alertar os vizinhos. “Eu fui, saí nas casas dizendo: ‘Tira os carros, tira os carros!’”, contou. A perda de veículos só foi evitada graças à insistência dos voluntários. A força-tarefa comunitária rapidamente expandiu o foco para a salvar eletrodomésticos e móveis. “Vamos erguer os móveis, vamos erguer os móveis”, mobilizou Tavares aos gritos, contando com a adesão de um grupo que se formou para ajudar.
A operação de salvamento começou pelas residências mais vulneráveis, priorizando itens essenciais: “Começamos a erguer tudo os móveis, máquina de costura, para as pessoas não perderem”, explicou.
O esforço coletivo durou cerca de quatro horas, estendendo-se até as 16h, período em que os voluntários se revezaram entre retirar pessoas, prestar socorro e identificar quem precisava de ajuda. Apesar do engajamento popular, Tavares criticou a falta de suporte inicial das autoridades competentes. Tavares chegou a cogitar arrombar a porta de uma casa de uma pessoa que estava no centro de Criciúma para salvar seus bens, mas foi impedido pela Polícia Militar. “A polícia disse que não era para mim mexer em nada”, relatou.
Sem o apoio institucional almejado, restou aos moradores intensificar o apelo mútuo. “Daí eu comecei a gritar pelos caras mais próximos ali, né, para me ajudar: ‘Vamos ajudar, vamos, vamos, vamos, pessoal, vamos botar a mão, vamos ajudar que eu sei como é que é, esta é a quarta enchente que eu passo, eu sei como é que funciona’”, apelou o morador. A ação conjunta conseguiu abranger três ruas severamente castigadas pelo transbordamento.
Conforme o presidente da Associação de Moradores do bairro Quarta Linha, Mateus Floriano, o alagamento na Rua Gerson Luiz Venson, inciou por volta das 11:40. “Sofremos a anos neste local com os alagamentos. Por sorte desta vez a água chegou no limite e não entrou nas casas. Mas o susto e a preocupação permanecem a cada temporal em nossa região”, afirma Mateus.
*Ponte de madeira teve que ser interditada no bairro Quarta Linha*
No bairro Quarta Linha, em Criciúma, uma ponte de madeira localizada na Rua Maria Vieira Gervásio precisou ser totalmente interditada após os temporais. Segundo informações locais, a força da água do rio acabou levando toda a terra situada sob o asfalto das cabeceiras da estrutura, deixando o trecho comprometido e oferecendo riscos de novos colapsos.



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