CRICIÚMA WEATHER

MPSC obtém condenação de empresários e servidores por fraudes em licitações que chegam a R$ 16 milhões em Criciúma

Réus foram condenados a multas que variam de R$ 800 mil a R$ 6 milhões para os empresários e entre 10 e 20 vezes o valor do salário para os servidores públicos; foi determinada ainda a proibição de contratar com o poder público por até quatro anos, conforme o grau de participação de cada envolvido.

A atuação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) em uma investigação sobre fraudes em licitações públicas no Município de Criciúma resultou na condenação de seis empresários e três servidores públicos por atos de improbidade administrativa, em sentença proferida pela 2ª Vara da Fazenda Pública.  

A apuração, conduzida pela 11ª Promotoria de Justiça de Criciúma no âmbito da Operação Blackout, deflagrada em 2020 com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), identificou a existência de um esquema estruturado para o direcionamento de processos licitatórios, especialmente na área de iluminação pública. As irregularidades envolveram contratações que somaram aproximadamente R$ 16 milhões. 

Conforme apurado ao longo do processo, os envolvidos estruturaram um grupo de empresas que simulava a concorrência em licitações públicas do Município. Porém, na prática, os participantes combinavam previamente quem seria o vencedor dos certames, comprometendo a lisura e a competitividade dos processos. Foram objeto de análise oito licitações, que tinham por objeto fornecimento de material elétrico, instalação, recuperação e manutenção de pontos e sistemas de iluminação. 

Conforme o Promotor de Justiça Marcus Vinícius de Faria Ribeiro, no curso da ação ficou demonstrado que havia interferência direta na elaboração de editais, com a inclusão de exigências que dificultavam a participação de empresas não integrantes do esquema. Em alguns casos, os projetos técnicos utilizados nas licitações eram elaborados com a participação direta dos próprios empresários, quando deveriam ser elaborados pelo Município. Posteriormente os mesmos empresários simulavam disputa e venceriam os contratos. 

Além disso, foram identificados vínculos estreitos entre os empresários e agentes públicos, com troca de informações privilegiadas e atuação conjunta para viabilizar o direcionamento das contratações. A decisão judicial apontou que os empresários agiram na organização do esquema, formando o grupo de empresas que participava dos certames. Já os servidores públicos tiveram participação relevante ao facilitar o direcionamento das licitações, inclusive com atuação na elaboração de documentos e na condução dos processos administrativos. 

Condenações 

Com base no conjunto de provas, foi reconhecida a prática de atos de improbidade administrativa que violaram princípios da Administração. As sanções foram aplicadas de forma proporcional à participação de cada envolvido no esquema. 

Entre os empresários, um dos principais articuladores e a empresa vinculada a ele foram condenados ao pagamento de multa civil superior a R$ 6,3 milhões, além da proibição de contratar com o poder público pelo prazo de quatro anos. Outros empresários e empresas envolvidas receberam multas de aproximadamente R$ 4 milhões e R$ 3,2 milhões, com proibição de contratar por três anos. Também foram aplicadas multas individuais de cerca de R$ 800 mil a outros participantes do esquema, além da proibição de contratar com o poder público por um ano. 

No caso dos servidores públicos, as penalidades incluíram multas fixadas com base na remuneração à época dos fatos, podendo chegar a até 20 vezes o valor do salário, além da proibição de contratar com o poder público por períodos que variam entre um e três anos. 

Além da ação de improbidade julgada, o MPSC ajuizou, ainda, uma outra ação penal que apura os crimes dos envolvidos e aguarda o julgamento. 

MPSC obtém condenação de empresários e servidores por fraudes em licitações que chegam a R$ 16 milhões em Criciúma Anterior

MPSC obtém condenação de empresários e servidores por fraudes em licitações que chegam a R$ 16 milhões em Criciúma

Criciúma inicia aulas da primeira turma de 2026 do curso de Defesa Pessoal para Mulheres da FME Próximo

Criciúma inicia aulas da primeira turma de 2026 do curso de Defesa Pessoal para Mulheres da FME

Deixe seu comentário