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Lúcio Vânio Moraes

Dia do Professor: entre a desvalorização, o adoecimento e a esperança de uma educação respeitada

Celebrar o Dia do Professor deveria ser muito mais do que publicar mensagens bonitas nas redes sociais, entregar flores ou receber homenagens acompanhadas de palavras de reconhecimento. Essa data precisa representar um momento de reflexão sobre a realidade de uma das profissões mais importantes para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Afinal, que valor atribuímos à educação quando aqueles que dedicam a vida à formação das novas gerações precisam lutar diariamente por melhores salários, respeito, condições dignas de trabalho e reconhecimento profissional?

 

Como professor, considero necessário falar sobre aquilo que muitas vezes fica escondido atrás das homenagens: o cansaço físico e emocional, a desvalorização salarial, a burocracia excessiva, os conflitos dentro das escolas e o sentimento de que, apesar de tantas responsabilidades, a profissão docente nem sempre recebe a importância que merece.

 

O professor é aquele que participa da formação de médicos, engenheiros, advogados, pesquisadores, historiadores, gestores públicos e de tantos outros profissionais. É também aquele que ensina a ler o mundo, a questionar, a pensar criticamente e a compreender que a convivência em sociedade exige direitos, mas também deveres. Entretanto, existe uma contradição que precisa ser enfrentada: a sociedade reconhece a importância da educação em seus discursos, mas frequentemente deixa o professor sozinho diante dos problemas concretos que comprometem o exercício da profissão.

 

Valorização salarial: o reconhecimento precisa sair do discurso

 

Não existe valorização verdadeira quando o reconhecimento se limita a palavras. O professor precisa de remuneração digna, carreira estruturada, formação continuada, condições adequadas de trabalho e perspectivas profissionais que lhe permitam viver com tranquilidade e exercer sua função sem precisar multiplicar jornadas para complementar a renda.

 

É preciso compreender que salário digno não constitui um privilégio concedido ao professor. Trata-se de uma condição fundamental para reconhecer a complexidade de um trabalho que exige planejamento, estudo permanente, responsabilidade, equilíbrio emocional, domínio de conhecimentos específicos e capacidade de lidar com diferentes realidades sociais.

 

Além das horas passadas em sala de aula, há atividades que nem sempre aparecem na jornada formal: elaboração de avaliações, correção de trabalhos, planejamento, preenchimento de sistemas, produção de relatórios, reuniões, atendimento às famílias, registros pedagógicos e acompanhamento individual dos estudantes. Muitas dessas tarefas continuam quando o professor chega em casa, ocupando noites, finais de semana e momentos que deveriam ser destinados ao descanso e à convivência familiar.

 

Por isso, a valorização salarial precisa estar acompanhada da revisão das condições de trabalho. Não basta exigir mais resultados, estabelecer novas metas e ampliar responsabilidades sem oferecer estrutura, tempo e reconhecimento compatíveis com as exigências da profissão.

 

A educação brasileira não precisa apenas de grandes projetos anunciados em solenidades. Precisa, sobretudo, de medidas concretas e permanentes. O básico precisa funcionar: salários dignos, escolas estruturadas, turmas em condições adequadas, profissionais respeitados e políticas públicas que não mudem de direção a cada troca de governo.

 

As novas gerações e os desafios da autoridade pedagógica

 

A escola mudou, assim como mudaram as famílias, as relações sociais, as tecnologias e as formas de acesso à informação. As gerações que hoje ocupam as salas de aula apresentam características diferentes daquelas observadas em décadas anteriores. Isso exige dos professores novas estratégias pedagógicas, metodologias diversificadas e uma compreensão mais ampla das necessidades dos estudantes.

Entretanto, reconhecer essas transformações não significa aceitar que o respeito tenha perdido seu lugar no ambiente escolar.

 

Em determinadas situações, observamos estudantes que questionam orientações, resistem ao cumprimento de regras básicas de convivência, desconsideram a palavra do professor e demonstram dificuldade para compreender que a liberdade individual precisa coexistir com a responsabilidade coletiva. Questionar é legítimo e necessário à formação crítica. Desrespeitar, humilhar, ameaçar ou impedir o desenvolvimento das aulas são atitudes de outra natureza e precisam ser enfrentadas com seriedade.

 

O professor não deve ser visto como uma figura autoritária, distante ou incapaz de dialogar. Sua autoridade pedagógica não depende do medo, mas do conhecimento, da responsabilidade, da experiência e da legitimidade de sua função. Contudo, o diálogo não pode ser confundido com a ausência de limites, assim como a educação democrática não pode ser interpretada como a inexistência de regras.

Uma escola que não consegue estabelecer limites claros encontra dificuldades para garantir o direito de aprender de todos os estudantes. Quando uma pessoa impede constantemente a realização de uma aula, não prejudica apenas o professor: compromete também o aprendizado dos colegas que desejam estudar.

É necessário compreender, ainda, que não se pode generalizar uma geração inteira. Existem muitos estudantes respeitosos, dedicados, solidários e comprometidos com o próprio futuro. Há jovens que reconhecem o esforço de seus professores e encontram na escola oportunidades reais de transformação. O problema está nos comportamentos que desrespeitam a convivência e na dificuldade de algumas instituições e famílias em estabelecer respostas educativas consistentes diante dessas situações.

 

Quando a família deixa de educar em parceria com a escola

 

Outro aspecto que merece reflexão diz respeito à relação entre escola e família. A participação dos responsáveis é indispensável para o desenvolvimento dos estudantes, mas essa parceria precisa estar fundamentada no diálogo, na responsabilidade compartilhada e no compromisso com a educação.

Em determinadas situações, quando a escola comunica um episódio de indisciplina ou uma atitude inadequada, alguns responsáveis reagem defendendo imediatamente o filho, mesmo antes de compreenderem os fatos. Em vez de escutar os profissionais envolvidos, procuram justificar a conduta da criança ou do adolescente, como se reconhecer um erro representasse uma ofensa à família.

É claro que os estudantes têm direito à escuta, à defesa e ao tratamento justo. A escola também pode cometer equívocos, e toda ocorrência precisa ser apurada com responsabilidade. Entretanto, defender os direitos dos filhos não significa negar suas responsabilidades, justificar comportamentos inadequados ou desautorizar indiscriminadamente os profissionais da educação.

 

A família precisa compreender que educar não é apenas proteger. Também é ensinar limites, respeito, empatia, responsabilidade e consciência das consequências das próprias atitudes. Amar um filho significa, igualmente, ajudá-lo a reconhecer quando erra e oferecer condições para que possa corrigir seu comportamento.

Quando os responsáveis e os professores trabalham em parceria, os estudantes compreendem que existem princípios de convivência que precisam ser respeitados tanto em casa quanto na escola. Quando essa parceria se rompe, o conflito tende a crescer, e o professor pode acabar transformado em adversário juntamente por cumprir uma responsabilidade inerente à sua função.

A escola não pode assumir sozinha todas as tarefas educativas da sociedade. A formação de uma pessoa é um compromisso que envolve família, comunidade, poder público e instituições sociais. Transferir essa responsabilidade quase integralmente aos professores é uma injustiça com a categoria e uma expectativa incompatível com a realidade.

 

O adoecimento docente: quando ensinar também significa suportar o sofrimento

 

Talvez uma das questões mais preocupantes da educação contemporânea seja o adoecimento dos professores. Por trás de uma aula preparada, de uma avaliação corrigida e de um sorriso diante dos estudantes, pode existir um profissional que enfrenta ansiedade, insônia, exaustão emocional, sintomas depressivos e dificuldades para encontrar equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.

A pesquisa de Tostes et al. (2018), intitulada Sofrimento mental de professores do ensino público, investigou 1.021 docentes da rede pública do Paraná. Entre os participantes avaliados, foram identificados indicadores de sofrimento psíquico em aproximadamente 75%, sintomas depressivos em 44% e sintomas de ansiedade em 70%. O estudo também identificou que 65,53% relataram utilizar medicamentos, sendo que, entre esses usuários, 32,31% faziam uso de medicamentos psicotrópicos. Além disso, 26,72% relataram afastamento do trabalho por sofrimento mental.

Esses números precisam ser interpretados com responsabilidade: referem-se à amostra estudada, e não representam automaticamente todos os professores brasileiros. Ainda assim, revelam uma realidade que não pode ser ignorada. Os resultados demonstram a necessidade de investigar as condições de trabalho e de desenvolver políticas de prevenção e assistência à saúde dos profissionais da educação.

 

O dado sobre medicamentos merece atenção especial. Não se trata de julgar quem necessita de tratamento, pois o acompanhamento médico e psicológico pode ser fundamental para a recuperação e a qualidade de vida. A preocupação está em uma realidade na qual profissionais podem sentir que precisam recorrer continuamente a tratamentos para conseguir enfrentar uma rotina de trabalho marcada por cobranças, conflitos e esgotamento.

Nenhum professor deveria precisar escolher entre preservar a própria saúde e continuar exercendo uma profissão que ama. Tampouco se deve presumir que todo docente que utiliza medicamentos o faz exclusivamente por causa do trabalho. O que as pesquisas permitem afirmar é que o sofrimento mental aparece com frequência preocupante em determinadas amostras de professores e está associado a condições laborais que precisam ser examinadas.

A pesquisa de Ferreira-Costa e Silva (2019), realizada com 105 profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental de uma cidade paulista, também identificou níveis de ansiedade e depressão considerados prejudiciais ao exercício da atividade educativa em aproximadamente metade dos participantes. Os autores destacaram a necessidade de políticas educacionais que considerem a saúde mental dos docentes.

Essas evidências nos obrigam a fazer uma pergunta: de que adianta exigir profissionais motivados, criativos e emocionalmente disponíveis se as próprias condições de trabalho podem contribuir para o adoecimento?

Não é possível construir uma educação humanizada ignorando a saúde de quem educa. O professor também precisa de cuidado, acolhimento, descanso, acompanhamento profissional e condições para desenvolver seu trabalho sem viver permanentemente sob pressão.

 

A burocracia e o excesso de cobranças: ensinar não pode se tornar apenas preencher sistemas

 

Outro fator que contribui para o desgaste docente é a multiplicação de exigências administrativas e burocráticas. Registros, relatórios, plataformas digitais, planilhas, avaliações, formulários, planejamentos, indicadores e prestação de contas podem ser necessários à organização do sistema educacional. O problema começa quando essas exigências se acumulam de maneira excessiva, desarticulada ou repetitiva, retirando do professor o tempo necessário para aquilo que deveria constituir o centro de sua atividade: ensinar e acompanhar a aprendizagem dos estudantes.

A pesquisa de Tostes et al. (2018) chama a atenção para o fato de que levar trabalho para casa estava associado a níveis mais elevados de ansiedade entre os docentes investigados. O estudo também discute a sobrecarga decorrente de tarefas administrativas, como o preenchimento de relatórios, o registro de notas e o controle de frequência.

 

É evidente que a escola precisa de planejamento, avaliação e acompanhamento pedagógico. Não se trata de eliminar a organização institucional, mas de estabelecer prioridades e evitar que a burocracia se transforme em uma finalidade em si mesma.

Um professor que passa horas preenchendo informações repetidas em diferentes plataformas perde tempo que poderia dedicar à elaboração de atividades, à leitura, à formação continuada e à atenção individual aos estudantes. Quando cada nova política acrescenta uma obrigação sem retirar tarefas anteriores, a sobrecarga cresce silenciosamente.

É necessário perguntar se todos os procedimentos exigidos contribuem efetivamente para a aprendizagem ou se alguns deles apenas alimentam sistemas administrativos. A gestão educacional precisa compreender que a qualidade do ensino não pode ser medida exclusivamente pela quantidade de formulários preenchidos, relatórios produzidos ou indicadores registrados.

A escola precisa de organização, mas também de bom senso. A burocracia deve servir à educação, e não transformar a educação em uma extensão da burocracia.

 

Violência contra professores: a escola precisa ser um espaço seguro para todos

 

O desrespeito ao professor pode assumir diferentes formas, desde ofensas verbais e humilhações até ameaças, agressões físicas e danos ao patrimônio. A violência pode partir de estudantes, de familiares ou de outras pessoas que integram a comunidade escolar. Independentemente de sua origem, ela não pode ser naturalizada nem tratada como parte inevitável da profissão.

Plassa, Paschoalino e Bernardelli (2021), no estudo Violência contra professores nas escolas brasileiras: determinantes e consequências, utilizaram dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica de 2017 para analisar a violência contra docentes no país. Os pesquisadores identificaram que 8,24% dos professores analisados relataram ter sofrido crimes contra a propriedade no ambiente escolar, enquanto 5,27% relataram violência classificada no estudo como crime contra a vida.

Os percentuais se referem às categorias e aos dados utilizados pelos pesquisadores e não devem ser interpretados como uma estimativa completa de todas as formas de violência escolar. Mesmo assim, evidenciam a gravidade do problema. O estudo também apontou que a violência sofrida pelos professores pode prejudicar o desenvolvimento dos conteúdos previstos para as aulas.

 

Esse resultado demonstra que a violência contra o professor não é apenas uma questão individual ou disciplinar. Ela afeta o funcionamento da escola, o planejamento pedagógico, a qualidade do ensino e o direito dos demais estudantes à aprendizagem.

Nenhum profissional deveria entrar em uma sala de aula temendo ser humilhado, ameaçado ou agredido. A escola precisa ser um espaço de convivência, diálogo, proteção e formação humana, e isso inclui a proteção dos trabalhadores que nela atuam.

Quando um professor é agredido e não recebe o apoio institucional necessário, a mensagem transmitida é perigosa: a de que sua dignidade pode ser colocada em segundo plano. Da mesma forma, quando uma ocorrência é ignorada ou minimizada, perde-se a oportunidade de estabelecer limites claros e de prevenir novos episódios.

É preciso assegurar protocolos de prevenção, canais de denúncia, acompanhamento psicológico, apoio das equipes gestoras, diálogo com as famílias e aplicação das medidas cabíveis, sempre respeitando os direitos de todas as pessoas envolvidas. Proteger o professor não significa desconsiderar os direitos dos estudantes; significa garantir que esses direitos possam coexistir em um ambiente seguro.

 

Educação nas eleições de 2026: promessas não substituem compromissos concretos

 

Em períodos eleitorais, a educação costuma aparecer nos discursos como prioridade nacional. Candidatos falam sobre desenvolvimento, inovação, tecnologia, formação profissional, melhoria da aprendizagem e futuro das novas gerações. São temas relevantes, mas a questão fundamental é saber quais medidas concretas serão adotadas para transformar essas declarações em realidade.

Nas eleições de 2026, que mobilizaram a escolha de representantes para diferentes cargos, a educação precisa ser debatida para além de slogans e promessas genéricas. O país necessita de compromissos verificáveis com a valorização dos profissionais, a saúde mental docente, a infraestrutura escolar, a formação continuada, a redução das desigualdades e a melhoria das condições de ensino.

Minha crítica não se dirige exclusivamente a um partido ou candidato. Trata-se de uma cobrança dirigida a todos aqueles que pretendem ocupar cargos públicos e que precisam demonstrar como suas propostas serão financiadas, executadas e avaliadas.

 

Não basta dizer que a educação é prioridade. É necessário explicar como os profissionais serão valorizados, como as redes de ensino enfrentarão o adoecimento docente, quais medidas serão adotadas diante da violência escolar e como se pretende reduzir a sobrecarga administrativa.

A população precisa cobrar propostas objetivas, metas transparentes, prazos, recursos orçamentários e mecanismos de acompanhamento. A educação não pode ser lembrada apenas durante a campanha e esquecida quando chega o momento de governar.

O Brasil não precisa descobrir novamente que a educação é importante a cada eleição. Precisa transformar esse reconhecimento em políticas públicas permanentes, com continuidade administrativa e responsabilidade fiscal e social.

 

O feijão com arroz da educação precisa ser colocado em prática

 

É comum que os debates educacionais sejam acompanhados de grandes projetos, novas terminologias, plataformas tecnológicas e propostas de inovação. Muitas dessas iniciativas podem contribuir para a aprendizagem, desde que sejam planejadas e implementadas adequadamente. Entretanto, nenhuma tecnologia substitui a necessidade de garantir condições básicas para o trabalho pedagógico.

O feijão com arroz da educação precisa funcionar. E esse básico começa pela valorização salarial, pelo respeito ao professor, por escolas seguras, por condições adequadas de trabalho, por equipes gestoras comprometidas, por famílias parceiras e por políticas de saúde ocupacional.

Também é necessário garantir que os professores tenham tempo para planejar, estudar, avaliar e acompanhar os estudantes. A inovação pedagógica perde força quando o profissional está exausto, desmotivado ou preocupado com a própria sobrevivência financeira.

Valorizar o professor não significa colocá-lo acima dos estudantes ou das famílias. Significa reconhecer que todos os integrantes da comunidade escolar possuem direitos e responsabilidades e que o trabalho docente exige conhecimentos, formação, dedicação e condições específicas para ser realizado com qualidade.

A educação precisa de diálogo, mas também de limites. Precisa de acolhimento, mas também de responsabilidade. Precisa de tecnologia, mas também de condições materiais. Precisa de avaliações, mas também de confiança no trabalho pedagógico. E, acima de tudo, precisa compreender que o professor não é o único responsável por resolver todos os problemas sociais que chegam à escola.

 

Uma homenagem que precisa se transformar em compromisso

 

Neste Dia do Professor, escrevo não apenas como alguém que observa a educação de fora, mas como alguém que conhece a responsabilidade de estar diante de uma turma, preparar uma aula, buscar estratégias para despertar o interesse dos estudantes e continuar ensinando mesmo diante das dificuldades.

Escrevo como professor porque acredito que a educação continua sendo um dos caminhos mais importantes para a construção de uma sociedade mais justa, crítica e democrática. Entretanto, acreditar na educação não significa fechar os olhos para os problemas que atravessam a profissão.

Precisamos falar sobre os salários, sobre a saúde mental, sobre a violência, sobre o respeito, sobre a burocracia e sobre a responsabilidade das famílias. Precisamos reconhecer os professores que seguem estudando, pesquisando, planejando e procurando fazer o melhor possível, mesmo quando as condições de trabalho não correspondem à importância de sua missão.

O professor não precisa ser tratado como herói. Essa imagem, embora muitas vezes apresentada como elogio, pode contribuir para naturalizar sacrifícios que deveriam ser evitados. O professor precisa ser reconhecido como trabalhador, profissional do conhecimento e agente fundamental na formação humana. Precisa receber condições dignas para exercer sua função sem que o sofrimento seja considerado uma demonstração de vocação.

As homenagens são bem-vindas, mas não pagam contas, não substituem políticas de saúde, não impedem agressões e não reduzem a burocracia. O reconhecimento verdadeiro acontece quando a sociedade, as famílias e os governantes demonstram, por meio de atitudes, que respeitam aqueles que dedicam a vida ao ensino.

Se queremos estudantes mais preparados, precisamos de professores valorizados. Se queremos escolas mais humanas, precisamos cuidar da saúde de quem trabalha nelas. Se queremos uma sociedade que respeite o conhecimento, precisamos ensinar às novas gerações que o professor merece ser ouvido, respeitado e reconhecido.

Neste Dia do Professor, minha homenagem é também uma reivindicação. Que a valorização da categoria deixe de ser apenas uma frase repetida anualmente e se transforme em compromisso concreto. Que o respeito não seja uma exigência dirigida somente aos estudantes, mas um princípio praticado por toda a comunidade escolar. Que os responsáveis compreendam que educar é uma tarefa compartilhada. Que os gestores e governantes assumam suas responsabilidades. E que nenhum professor precise adoecer para provar o quanto trabalha.

 

A educação não se constrói apenas com discursos, documentos ou promessas. Constrói-se com pessoas, conhecimento, responsabilidade e condições reais de trabalho.

Valorizar o professor é valorizar a educação. Respeitar o professor é respeitar o conhecimento. Cuidar do professor é cuidar do futuro.








As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade exclusiva do(a) colunista e não refletem, necessariamente, a posição do Portal Folha Regional.

Lúcio Vânio Moraes - Historiador

Lúcio Vânio Moraes - Historiador

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