A história da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em Maracajá passa, diretamente, pela trajetória política de Valdir Carradore. Segundo relato de Sônia Maria Souza Carradore, em entrevista concedida em 22 de janeiro de 2026, Valdir foi o fundador e o primeiro presidente do PDT no município.
De acordo com a entrevistada, o ponto de partida ocorreu em maio de 1988, quando Valdir retornou abatido de uma reunião interna do Partido Social Democrático (PSD). O descontentamento tinha motivo: o rumo que o partido vinha tomando e, principalmente, a falta de espaço para novos integrantes na disputa pelos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereadores. “Ele reclamava que o partido não estava abrindo espaço e que aquilo já não atendia ao que ele projetava como importante para a população de Maracajá”, relembra Sônia.
Ainda segundo ela, Valdir sempre demonstrou preocupação em trabalhar pelo povo, e não pelos interesses internos da sigla. Seus planos incluíam projetos voltados à educação, à saúde, à economia, ao meio ambiente e ao crescimento do município. “Isso tornava o Valdir um homem humano, que idealizava uma gestão política mais humana”, afirma.
Sônia também contextualiza sua própria relação com a política. Conta que o pai não gostava do tema, mas o avô paterno, Justino Manoel Souza, conhecido como Maneca, era envolvido com a vida pública e influenciou seu interesse. “Naquele tempo, antes de fundar o PDT, eu tinha o meu partido, diferente do partido do Valdir, mas a gente nunca brigou por causa disso. Eu gosto de política, e essa raiz vem do meu avô, que era getulista”, relata.
A educação, segundo ela, sempre foi prioridade. Formada no Magistério, lecionou no SangãoMadalena, em Maracajá, e foi a primeira professora do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), cuja escola funcionava no prédio da Maria Furtulino. Admiradora declarada de Leonel de Moura Brizola, lembra que chegou a vê-lo pela primeira vez no aeroporto de Criciúma, em meio a uma multidão formada, em sua maioria, por professoras. “Eu era apaixonada pelo Brizola. As propostas dele me incendiavam a mente, porque eu gostava da área da educação”, conta.
Foi nesse contexto que surgiu a ideia da criação do PDT em Maracajá. Sônia recorda que, após mais uma reunião partidária frustrante, Valdir chegou em casa descontente com os rumos políticos projetados para as eleições de 1988. “Ele estava indo tomar banho quando eu disse: ‘Por que tu não funda o PDT?’. Ele respondeu na hora: ‘Tá louca, mulher’, porque era muito ligado ao PSD. Mas, depois, voltou e disse: ‘Sabe que é uma boa ideia. Assim eu consigo implantar o que eu desejo para as pessoas’”, relata. “Naquele instante surgiu a história do PDT”, completa.
A partir daí, Valdir passou a buscar informações sobre como fundar o novo partido. Encontrou apoio por meio de um amigo de Araranguá ligado ao PDT e também de José Felisberto Costa, conhecido como Aritana. Após analisar a linha política da sigla, percebeu que ela estava de acordo com suas convicções e afinidades, e então organizou a documentação necessária para a fundação do partido em Maracajá.
Durante o mês de fevereiro de 1988, período de formação do partido PDT em Maracajá, a casa da família também se tornou ponto de encontro de lideranças políticas. Sônia recorda que Leonel Brizola, o senador catarinense Nelson Wedekin e uma deputada federal estiveram no local para um almoço. “Era uma manhã quente, entre 10 h ou 10,30 Quando chegaram. Veio também uma candidata a deputada federal, Crizelda Benedet. Acho que era o nome dela. Eu estava grávida de 7 meses do Guilherme Carradore, preparei macarrão e bife de coxão mole. A conversa foi na sala da nossa casa e o assunto era política municipal. Depois, eles seguiram para Forquilhinha, Criciúma e outras cidades”, relata.
Ainda em 1988, Valdir concorreu à prefeitura ao lado de Bento Gonçalves Henrique, conhecido como Dem. Embora não tenham sido eleitos, o episódio marcou o início oficial do PDT em Maracajá, conforme conclui a entrevistada.

O cenário eleitoral daquele ano é detalhado pelo Sr. Antenor Rocha, em entrevista realizada em 5 de fevereiro de 2026. Segundo ele, quatro chapas disputaram o pleito: Lavino Alano da Silva e OlávioPedro Teixeira, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB); Joelcio Silveira e Antônio Mário Pavei, pelo Partido da Frente Liberal (PFL); Valdir Carradore e Bento Gonçalves Henrique, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT); e a chapa composta por ele próprio como candidato a prefeito e Pedro Tomaz Pereira como vice, pelo Partido Democrático Social (PDS). “Nessa eleição, fomos os vencedores”, afirma Antenor Rocha.
Assim, entre relatos pessoais, decisões políticas e articulações partidárias, a fundação do PDT em Maracajá revela um capítulo importante da história política local, marcado por insatisfação, idealismo e pela busca de novos rumos na política de Maracajá para as necessidades do povo.

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