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Menos dor e mais autonomia: Criciúma garante qualidade de vida a crianças com diabetes tipo 1

Município oferece sensores de glicose gratuitamente e transforma a rotina de famílias atendidas pela rede municipal de saúde

Noites sem dormir, inúmeras picadas no dedo ao longo do dia e uma preocupação constante. Essa era a realidade de dezenas de famílias na rotina de cuidados com os filhos que enfrentam o diabetes tipo 1 em Criciúma. Foi por meio da iniciativa do Governo Municipal, via Secretaria de Saúde, que o cansaço começou a dividir espaço com o alívio. O município foi o primeiro de Santa Catarina a garantir o acesso gratuito a sensores de glicose para crianças e adolescentes cadastrados na rede de atenção básica em saúde.

 

Com o diagnóstico da doença, hábitos simples do cotidiano ganham novos significados e qualquer alteração no comportamento se transforma em sinal de alerta – uma vigilância constante que se traduzia em dor, medo e noites de sono interrompido. Os sensores possibilitam o monitoramento dos níveis de açúcar no sangue em tempo real, sem as rotineiras picadas no dedo, o que reduz a dor, garante o controle da doença e traz mais tranquilidade para os pais.

 

A rotina da família de Isabele Gomes Soares, de 13 anos, mudou radicalmente em 2017. O que parecia uma virose comum evoluiu rapidamente para um quadro grave. Após passar por diferentes atendimentos e tratamentos, a menina entrou em cetoacidose diabética (o que ocorre por falta grave de insulina) e precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu por quatro dias. Foi ali que veio o diagnóstico de diabetes tipo 1 e, com ele, uma nova forma de viver.

 

Desde então, a rotina passou a ser marcada por cuidados constantes. Antes da chegada do sensor, Isabele precisava furar o dedo até sete vezes ao dia para medir os níveis de açúcar no sangue. “As picadas fazem com que eles percam a sensibilidade no dedo, incomodam e doem. Tinha choro, às vezes o dedo não dava certo e precisa furar de novo. Era um processo muito difícil, tanto para eles, como para a gente”, relata a mãe, Daniele Lopes Gomes.

 

Com o passar dos anos, o diabetes deixou de impactar apenas a alimentação e passou a reorganizar toda a dinâmica familiar. Horários, passeios, atividades físicas e até momentos simples do cotidiano exigiam planejamento e atenção. A adaptação foi – e ainda é – um processo diário. “A aceitação não acontece de uma vez. É um tijolinho por dia. Tem dias que ela pergunta ‘por que comigo?’, sente vontade de comer o que os outros comem. É um trabalho constante”, diz Daniele.

 

A chegada do sensor de glicose, no entanto, trouxe uma mudança significativa na vida de Isabele, garantindo melhorias na qualidade de vida, na autonomia e na tomada de decisões diárias. A tecnologia também ajudou a diferenciar as reações do organismo a diferentes alimentos e atividades físicas, algo que antes era difícil de perceber. “Pensando no futuro, isso é essencial. Ela vai crescer, fazer faculdade, talvez morar sozinha. O sensor ajuda a preparar ela para a vida, para ter autonomia e segurança”, finaliza a mãe.

 

Noites sem dormir e preocupação constante

 

Elisa Ronchi Flausino tinha apenas dois anos quando recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1, em 2022. Pequena demais para explicar o que sentia, começou a apresentar sintomas que preocupavam a família: dores nas pernas, sede excessiva, urina frequente e uma perda rápida de peso. Em poucos meses, a infância despreocupada deu lugar a uma rotina de cuidados intensa.

 

Antes do sensor de glicose, as noites praticamente não existiam para a família. “Eu não dormia. Colocava despertador para acordar várias vezes e medir a glicemia. Se precisasse, acordava ela para comer. Era vigilância 24 horas por dia. Quando eu dormia mais de duas horas, acordava assustada, achando que estava sendo negligente. Parecia que não merecia dormir. Me sentia culpada até de comer um doce, como se estivesse sendo egoísta”, conta a mãe de Elisa, Daniela Flausino.

 

As picadas no dedo faziam parte da rotina diária e, muitas vezes, aconteciam em uma frequência maior do que o recomendado. A insegurança e o medo de uma alteração silenciosa na glicemia levavam a novas medições a qualquer sinal diferente apresentado pela menina, mesmo quando o último teste havia sido realizado há poucos minutos. Esse acompanhamento constante gerava interrupções frequentes do sono e desconforto físico, já que, em muitos casos, o resultado indicava níveis normais de açúcar no sangue.

 

Com a chegada do sensor de glicose, a realidade mudou. O monitoramento em tempo real otimizou a rotina da família. Passeios mais longos, brincadeiras sem interrupções, mais tempo na piscina e até o consumo de alguns doces deixaram de ser motivo de medo. “Hoje eu e ela dormimos. Conseguimos ajustar, acompanhar e decidir com mais segurança. A vida familiar melhorou, o casamento também. Dividimos responsabilidades e vivemos com mais tranquilidade”, completa Daniela.

 

Acesso gratuito à tecnologia fortalece o cuidado na rede municipal

 

Implantada em agosto de 2025, a iniciativa da Prefeitura de Criciúma garante o fornecimento gratuito de sensores de glicose para crianças e adolescentes diagnosticados com diabetes tipo 1 e cadastrados na rede de atenção básica. Atualmente, 40 pacientes na faixa etária de dois a 14 anos são contemplados com o dispositivo FreeStyle Libre, o qual permite o monitoramento contínuo da glicemia.

 

“Quando uma mãe diz que voltou a dormir tranquila, a gente entende que essa política pública valeu a pena. Não estamos entregando apenas um sensor, estamos devolvendo qualidade de vida, autonomia e esperança para essas crianças e adolescentes. Criciúma escolheu cuidar de perto, com sensibilidade e responsabilidade, porque investir em saúde pública também significa garantir o presente e, principalmente, proteger o futuro”, declara o prefeito Vagner Espindola.

 

O dispositivo é aplicado na parte posterior do braço e possibilita o controle da glicemia de forma prática, precisa e menos invasiva. A leitura é feita por meio de um aplicativo de celular que apresenta os dados em tempo real. Tanto o paciente, como os profissionais de saúde, pais e responsáveis têm acesso às informações, o que facilita as decisões sobre alimentação, uso de insulina e práticas diárias.

 

O secretário de Saúde de Criciúma, Deivid de Freitas Floriano, ressalta que “o sensor permite um controle mais preciso da glicemia e facilita as decisões diárias sobre alimentação e uso de insulina. Estamos falando de mais tranquilidade no dia a dia, mais segurança no tratamento e de um acompanhamento contínuo que faz diferença na vida dessas crianças e adolescentes”.

 

Ambulatório Íris

 

O acompanhamento dos pacientes beneficiados pelos sensores de glicose em Criciúma é realizado por meio do Ambulatório Íris, serviço especializado da Secretaria Municipal de Saúde voltado ao cuidado integral de pacientes com diabetes tipo 1, sendo pioneiro em Santa Catarina. O ambulatório funciona no Centro Especializado em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (CESMCA), localizado no Santo Agostinho Complexo de Saúde, no Distrito de Rio Maina.

 

“O Ambulatório Íris nasceu da necessidade de um atendimento multiprofissional para esses pacientes. Ele é representado pelo azul, cor oficial de conscientização do diabetes, e pela flor íris azul, símbolo de fé, esperança e sabedoria. O ambulatório foi estrategicamente pensado para trazer leveza e ressignificado aos pacientes e suas famílias”, destaca a coordenadora da Área Técnica em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente de Criciúma, Lucimara Nunes.

 

Durante os encontros mensais, os pais compartilham vivências, tiram dúvidas e recebem orientações. O serviço conta com uma equipe multiprofissional formada por enfermeira responsável, técnico de enfermagem, endocrinologista pediátrico, nutricionista, psicóloga e assistente social, o que garante um acompanhamento contínuo, humanizado e individualizado. Além do monitoramento clínico, o ambulatório também presta suporte às famílias, auxiliando na adaptação à rotina de cuidados exigida pela doença.

 

O objetivo do Ambulatório Íris é assegurar a concessão, o acompanhamento e a manutenção do fornecimento dos sensores com o intuito de promover melhor controle glicêmico, prevenção de complicações e redução de internações hospitalares. Desde o lançamento da iniciativa, em agosto do ano passado, o serviço já contabilizou cerca de 350 atendimentos.

 

O encaminhamento dos pacientes com diabetes tipo 1 para o ambulatório ocorre por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Após a consulta com o endocrinologista pediátrico, o paciente passa a ser acompanhado pela equipe multiprofissional, desde que atenda aos critérios de inclusão do programa municipal de monitoramento contínuo da glicemia.

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