No texto de hoje, a história destacada é sobre os 20 anos de fundação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Maracajá, oficialmente fundada em 2 de junho de 2006. Uma instituição que, ao longo de sua trajetória, consolidou-se como referência no atendimento, acolhimento e desenvolvimento da educação especial no município, contribuindo significativamente para a promoção da inclusão, da qualidade de ensino e do acompanhamento especializado às pessoas com deficiência.
Ao longo dessas duas décadas, a APAE de Maracajá transformou-se em um importante espaço de aprendizagem, cuidado e valorização humana, desempenhando papel fundamental na garantia de direitos, no fortalecimento das famílias e na construção de uma sociedade mais inclusiva e sensível às demandas da educação especial.
Durante muito tempo, pessoas com deficiência em pequenas cidades brasileiras permaneceram invisibilizadas perante a sociedade. Em muitos casos, crianças, adolescentes e adultos viviam afastados do convívio social, privados do acesso à aprendizagem, ao atendimento especializado e, sobretudo, ao reconhecimento de sua dignidade humana. Em Maracajá, essa realidade começou a ser modificada a partir da mobilização de famílias, educadores, lideranças comunitárias e gestores públicos que compreenderam que inclusão não representa caridade, mas um direito social e humano.
Ao completar 20 anos de fundação, a APAE de Maracajá reafirma sua importância como uma das instituições mais relevantes da história da educação especial do município. Sua trajetória representa uma profunda transformação social, educacional e humana, tornando-se referência no acolhimento, no atendimento especializado e na luta pela valorização das pessoas com deficiência.
Nas gestões do prefeito Antenor Rocha, a educação especial passou a ser compreendida como uma das prioridades administrativas do município. Ao lado de sua esposa, Maria Margareth Tomasi Rocha (in memoriam), a pauta da inclusão começou a ganhar espaço nas discussões públicas e no planejamento governamental. Segundo relatos do próprio Antenor Rocha, em entrevistas realizadas nos dias 16 de julho de 2025 e 5 de fevereiro de 2026, havia muitas pessoas com deficiência em Maracajá, porém diversas famílias ainda demonstravam receio e vergonha de procurar atendimento especializado.
Naquele período, muitos estudantes eram encaminhados para a APAE de Araranguá, necessitando de transporte escolar para receber acompanhamento educacional e terapêutico. Com o crescimento da demanda, intensificaram-se no município os debates sobre deficiência, inclusão e direitos humanos. A necessidade de criação de uma instituição própria tornou-se cada vez mais evidente.
Conforme destacou Antenor Rocha: “Em Maracajá existiam muitas crianças com deficiência, adolescentes e adultos. Mas as famílias tinham vergonha de encaminhar para uma instituição especial e ficavam em casa, sem um espaço de aprendizagem e convivência social. Quando começamos a discutir a fundação da APAE em Maracajá, muitas pessoas imaginavam um ambiente de sofrimento. Depois perceberam que a APAE era um espaço de acolhimento, com professores, equipe técnica especializada, fisioterapia, psicologia, assistência social e oportunidades de desenvolvimento humano.”
Embora a fundação oficial da APAE tenha ocorrido na gestão do prefeito Antônio Carlos de Oliveira, o “Cacaio”, tendo como vice-prefeito Luiz Ivalnei Martinello, o “Neguinho”, a causa da educação especial já vinha sendo fortalecida nas administrações anteriores, especialmente durante os mandatos de Antenor Rocha, quando a inclusão passou a ser compreendida como uma importantebandeira social do município.
Conforme consta no Livro Ata de Fundação da APAE de Maracajá, a primeira Assembleia Geral foi realizada em 2 de junho de 2006, às 19h, no Centro de Convivência da Terceira Idade, situado na Avenida Nossa Senhora da Conceição. Na ocasião, com a presença da comunidade local, foi oficializada a fundação da instituição, além da homologação do estatuto e da eleição da primeira diretoria executiva, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal.
Os trabalhos da assembleia foram conduzidos por Luciane Ronchi Valnier, que apresentou a palestrante Elizabeth de Bem Costa, de Balneário Arroio do Silva, responsável por explanar sobre o movimento apaeano e a necessidade da implantação de uma APAE em Maracajá. Também participaram das discussões o conselheiro da Federação Estadual das APAEs, Lédio Gomes, e a integradora de Ensino Especial e Diversidade da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Araranguá, Melânia Scarduelli Fernandes.
A criação da APAE foi aprovada por unanimidade pelos presentes. Na sequência, ocorreu a leitura do estatuto-padrão da Federação Nacional das APAEse, posteriormente, a eleição da primeira diretoria da instituição, escolhida por aclamação.
A primeira Diretoria Executiva da APAE de Maracajá ficou constituída da seguinte forma: presidente Antenor Rocha; vice-presidente Dilnei de Pelegrini; primeira diretora-secretária Luciane Ronchi Valnier; segundo diretor-secretário ClenirVieira Vicente; primeiro diretor-financeiro Geraldo Leandro; segundo diretor-financeiro Joelson Lavinoda Rocha; diretor de patrimônio Lourival Cichella; e diretora social Lisângela Rocha de Souza.
O Conselho de Administração foi composto por Manuel de Freitas Neto, Suelen Réus da Rocha, Rosilene Henrique de Jesus, Maria Eliete Martinelli dos Santos, Gisele de Medeiros Mesquita, Hugo Daniel da Silva, Maria Zelindra Prudêncio Custódio, Mercedes Nazário Farias, Eva Fernandes de Oliveira, Isabel Ubiali Gonçalves, Wilson José de Lima, José Francisco Ubiali, Elizete Leandro Bilésimo, Carla Viviane Daros e José Eurico de Souza.
Já o Conselho Fiscal efetivo foi formado por André Tramontin Nolla, Michele Goulart da Rocha Nolla e Cristiane Sant’Ana. Como suplentes do Conselho Fiscal foram empossadas VanildaCarradore de Oliveira, Márcia Regina Vieira Tesa e Juliana Dassoler da Silva.
Também fizeram uso da palavra durante a Assembleia, o prefeito Antônio Carlos de Oliveira, Geraldo Leandro e Antenor Rocha, reforçando a importância da implantação da instituição para o município de Maracajá.
Celebrar os 20 anos da APAE de Maracajá significa reconhecer a luta de famílias, profissionais, voluntários e lideranças que acreditaram que nenhuma pessoa deveria permanecer invisível perante a sociedade. Significa, também, compreender que a inclusão se concretiza quando o poder público e a comunidade assumem o compromisso de garantir oportunidades, respeito e dignidade para todos.
A história da APAE de Maracajá não representa apenas a trajetória de uma instituição. Representa a história da humanização de uma cidade.
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