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Lúcio Vânio Moraes

Dra. Elisa Fátima Stradiotto lança livro que investiga a representação de João Maria à luz da Psicanálise Junguiana

A noite de 6 de junho entrou para a história cultural de Araranguá com o lançamento do livro “Arquétipos Que Curam: Representações do Monge João Maria de Jesus na Perspectiva Psicanalítica Junguiana”, da pesquisadora e psicanalista Dra. Elisa Fátima Stradiotto. O evento, realizado às 19 horas no Clube Grêmio Fronteira, reuniu familiares, amigos, profissionais da educação, psicanalistas, médicos, lideranças políticas, pesquisadores, estudiosos e admiradores da cultura regional, em uma noite marcada pela valorização da produção científica, do conhecimento acadêmico e da identidade cultural do Sul do Brasil.

 

Natural de Araranguá, Elisa Fátima Stradiotto é filha de Ítalo Stradiotto e Praxedes Costa Stradiotto.Sua trajetória profissional foi construída na área da educação, atuando como professora da rede estadual de ensino e também no ensino superior. Nos últimos anos, dedicou-se aos estudos e à prática da psicanálise, consolidando uma formação acadêmica que culminou na pesquisa que deu origem à obra lançada.

 

O livro é resultado de sua tese de doutorado em Psicanálise pela Universidade Humanista das Américas e apresenta uma análise inédita sobre a permanência da figura do monge João Maria de Jesus no imaginário popular. A autora investiga como símbolos, imagens e narrativas associadas ao religioso continuam presentes na memória coletiva, despertando sentimentos de fé, esperança, proteção e cura entre diferentes gerações.

 

A pesquisa está fundamentada nos estudos do psiquiatra e psicanalista suíço Carl Gustav Jung, criador da Psicologia Analítica. A partir do conceito de inconsciente coletivo, Jung defende a existência de estruturas universais da psique humana, denominadas arquétipos, que se manifestam em símbolos, mitos, sonhos e experiências culturais compartilhadas.

 

Com base nessa perspectiva, Elisa Stradiottodemonstra que a representação de João Maria ultrapassa os limites da história regional e alcança dimensões simbólicas profundas. Segundo a autora, a força do personagem está relacionada à sua capacidade de mobilizar conteúdos arquetípicos que permanecem vivos na experiência humana, contribuindo para explicar sua permanência na cultura popular e na religiosidade do Sul do Brasil.

No prefácio da obra, o orientador da tese de doutorado, Dr. Daniel da Rosa Eslabão, destaca a relevância acadêmica e científica da pesquisa desenvolvida por Elisa Fátima Stradiotto. Segundo ele, o livro representa uma importante contribuição para os estudos sobre a figura do monge João Maria de Jesus, personagem histórica e culturalmente marcante no Sul do Brasil.

 

O autor do prefácio ressalta que a obra alia investigação histórica, antropológica e psicanalítica para compreender a permanência da devoção popular ao monge, associada a práticas de cura, fé e religiosidade. Destaca ainda que a pesquisa identifica a presença de elementos arquetípicos que contribuíram para a construção simbólica dessa figura no imaginário coletivo de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

 

Daniel da Rosa Eslabão enfatiza que a tese recebeu aprovação com distinção e recomendação para publicação, reconhecendo sua originalidade por ser a primeira pesquisa em Psicanálise a abordar especificamente o tema sob a perspectiva da teoria dos arquétipos de Carl Gustav Jung. Para o prefaciador, a obra constitui uma valiosa contribuição à ciência psicanalítica brasileira e uma homenagem às tradições culturais e à memória das populações que ajudaram a formar a identidade do Sul do Brasil.

A obra está organizada em seis capítulos que articulam história, antropologia, religião, cultura e psicanálise analítica, proporcionando uma compreensão ampla sobre a permanência simbólica do monge João Maria de Jesus no imaginário coletivo do Sul do Brasil.

 

Capítulo 1 – A existência do monge João Maria de Jesus na vida dos caboclos ainda presente no imaginário social dos povos de Santa Catarina (SC), Rio Grande do Sul (RS) e Paraná (PR) a partir do século XIX

 

Neste capítulo, a autora apresenta um panorama histórico da presença do monge João Maria de Jesus entre as populações caboclas dos estados do Sul do Brasil. A análise busca compreender como sua trajetória ultrapassou os limites da história factual, consolidando-se como um fenômeno cultural e religioso. O estudo evidencia a permanência de suas representações no imaginário social desde o século XIX, destacando a transmissão de narrativas, crenças e práticas devocionais que contribuíram para a construção de sua memória coletiva.

 

Capítulo 2 – Os povos que deram origem aos caboclos

 

O segundo capítulo aborda a formação histórica, social e cultural dos caboclos, enfatizando os processos de miscigenação entre populações indígenas, europeias e africanas. A autora discute as condições econômicas, sociais e territoriais que contribuíram para o surgimento dessa identidade cultural específica. A análise evidencia como os caboclos desenvolveram formas próprias de organização social, religiosidade e relação com a natureza, elementos fundamentais para compreender a receptividade às mensagens e práticas associadas ao monge João Maria.

 

Capítulo 3 – Os mitos que se encontram na construção cultural da humanidade na visão de Carl Gustav Jung e a visão antropológica da religião

 

Neste capítulo, a pesquisa estabelece um diálogo entre a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung e a Antropologia da Religião. A autora examina o papel dos mitos como estruturas simbólicas universais que auxiliam na compreensão da experiência humana. A discussão enfatiza os conceitos de arquétipo e inconsciente coletivo, relacionando-os às interpretações antropológicas sobre o fenômeno religioso. O capítulo demonstra como os mitos constituem elementos fundamentais na construção das identidades culturais e das representações sociais presentes nas diferentes sociedades.

 

Capítulo 4 – A forma de cura no contexto europeu (França) e no Brasil (Minas Gerais)

 

O quarto capítulo investiga diferentes tradições de cura desenvolvidas em contextos históricos e culturais distintos, tomando como referência experiências registradas na França e em Minas Gerais. A análise aborda práticas terapêuticas vinculadas à religiosidade popular, à medicina tradicional e às manifestações simbólicas associadas ao processo de cura. O estudo busca compreender como determinadas representações religiosas e culturais influenciam a percepção do sofrimento humano e a busca por soluções que integrem aspectos físicos, emocionais e espirituais.

 

Capítulo 5 – Visão de Jung em legitimar os processos psicanalíticos reconhecendo o Inconsciente Coletivo e sua formação instintiva arquetípica: análises sobre o monge João Maria de Jesus

 

Neste capítulo, a autora aprofunda os fundamentos teóricos da Psicologia Analítica, especialmente os conceitos de inconsciente coletivo e arquétipos. A partir da perspectiva junguiana, são realizadas análises sobre a figura do monge João Maria de Jesus, buscando identificar os conteúdos simbólicos presentes em sua representação social. O estudo demonstra como determinados elementos associados ao monge dialogam com imagens arquetípicas universais, contribuindo para a permanência de sua influência na memória coletiva e na religiosidade popular.

 

Capítulo 6 – Arquétipo do velho sábio e o poder da cura: representações do monge João Maria de Jesus nos estados do Rio Grande do Sul (RS), Paraná (PR) e Santa Catarina (SC)

 

O capítulo final concentra-se na identificação do arquétipo do Velho Sábio nas representações atribuídas ao monge João Maria de Jesus. Com base na teoria junguiana, a autora analisa como atributos como sabedoria, orientação espiritual, aconselhamento e poder de cura são recorrentes nas narrativas construídas sobre o personagem. A pesquisa demonstra que tais características transcendem a dimensão histórica individual e se inserem em estruturas simbólicas universais, permitindo compreender a continuidade de sua presença no imaginário social dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

 

Como síntese, a obra evidencia que a figura do monge João Maria de Jesus constitui um importante fenômeno cultural, religioso e psicológico, cuja permanência pode ser compreendida a partir da interação entre história, memória coletiva, mitologia, religiosidade popular e teoria dos arquétipos desenvolvida por Carl Gustav Jung.

 

Mais do que uma publicação acadêmica, Arquétipos Que Curam propõe um diálogo entre psicologia, espiritualidade, história e cultura, convidando os leitores a refletirem sobre os significados simbólicos presentes nas experiências humanas e na construção das identidades coletivas.

 

O lançamento representou um marco para a produção intelectual da região, celebrando a trajetória de uma pesquisadora que transformou anos de investigação científica em uma obra acessível ao público. A noite foi marcada pelo reconhecimento ao trabalho da autora e pela valorização de um tema que continua despertando interesse e fascínio na cultura catarinense.

Antes de concluir esta obra, a autora faz questão de registrar uma homenagem especial às pessoas que foram fundamentais em sua trajetória de vida e na construção desta pesquisa.

 

A Dra. Elisa Fátima Stradiotto dedicou o livro, em primeiro lugar, à sua mãe, Praxedes Costa Stradiotto(in memoriam), cuja sensibilidade e sabedoria despertaram nela o interesse por conhecer a história do monge João Maria e aprofundar-se nos aspectos culturais que constituem a identidade do povo brasileiro. Foi a partir desse incentivo inicial que nasceu a busca pelo entendimento dos processos de construção da individualidade humana, da individuação e da compreensão dos arquétipos, conceitos que encontraram sustentação científica nas teorias do psicanalista Carl Gustav Jung.

 

A autora também presta uma homenagem ao seu pai, Ítalo Stradiotto (in memoriam), que lhe ensinou valores essenciais como a coragem para fazer escolhas, a perseverança diante dos desafios e a determinação para superar obstáculos ao longo da vida.

 

Seu reconhecimento estende-se aos filhos Janaina Stradiotto Peruchi Cechinel, Juliana Stradiotto Peruchi e Ítalo Stradiotto Peruchi, que acompanharam sua caminhada acadêmica e profissional, compartilhando momentos de dedicação e conquistas. De forma muito especial, manifesta seu carinho a Guilherme Rosso Cesa, a quem considera um filho do coração.

 

Agradece ainda ao genro Clodoaldo Cechinelpelo apoio e incentivo recebidos ao longo dessa jornada.

 

Por fim, dirige uma homenagem especial ao seu companheiro, Jairo Cesa, que esteve presente em todos os momentos desta caminhada, oferecendo apoio, compreensão, incentivo e parceria constante. Sua presença foi fundamental para que este projeto se tornasse realidade.

 

Esta obra é, portanto, também uma celebração da família, da memória, dos afetos e das pessoas que, com amor e dedicação, contribuíram para a concretização deste importante trabalho acadêmico e humano.

O mestre de cerimônias do lançamento do livro foi o professor e historiador Lúcio Vânio Moraes, que também teve participação significativa na construção da obra. Foi responsável pela revisão ortográfica da tese e do livro, pela adequação dos textos às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pela revisão histórica do trabalho acadêmico que deu origem à publicação, contribuindo para o rigor científico e a qualidade editorial da obra.

Os interessados em adquirir a obra “Arquétipos Que Curam: Representações do Monge João Maria de Jesus na Perspectiva Psicanalítica Junguiana”podem entrar em contato diretamente com a autora, Dra. Elisa Fátima Stradiotto, pelo e-mail: elisfstradiotto@gmail.com.









As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade exclusiva do(a) colunista e não refletem, necessariamente, a posição do Portal Folha Regional.

Lúcio Vânio Moraes - Historiador

Lúcio Vânio Moraes - Historiador

luciovaniomoraes@gmail.com

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