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Lúcio Vânio Moraes

Mathilde Pizzollo Carradore: vida, dedicação e comoção em Maracajá

A trajetória de Mathilde Pizzollo Carradore (in memoriam) é marcada por dedicação, simplicidade e profundo amor à família. Esta reportagem foi construída a partir dos relatos da senhora Sônia Maria Souza Carradore, entrevistada desta coluna. As entrevistas ocorreram em diferentes etapas: a primeira em 1º de dezembro de 2025, na residência da família; a segunda em 14 de janeiro de 2026; e as demais nos dias 6, 12 e 18 de fevereiro de 2026, além de conversas complementares por meio do aplicativo WhatsApp. Também contribuíram com memórias os filhos de Mário Carradore e IzidraRocha Carradore, bem como os filhos do casamento com Dona Mathilde, enriquecendo este registro histórico-biográfico.

 

Mathilde Pizzollo Carradore nasceu em 1936, na localidade de Mãe Luzia, em Criciúma (SC). Filha de José Pizzollo e Angelina Remor Pizzollo (ambos in memoriam), construiu uma vida pautada pelo compromisso com a família e pela atenção à comunidade. Em 1955, aos 19 anos, casou-se com Mário Carradore. Da união nasceram cinco filhos: Vânio Carradore, Vilma Carradore Medeiros, VanildaCarradore Oliveira, Valmir Carradore e Viviane Carradore.


Segundo a nora, Sônia Maria Souza Carradore, Dona Mathilde era uma mulher simples, amorosa e dedicada. “Ela tinha olhos e cabelos negros, um sorriso largo que encantava a todos. Nunca a vi brava. Convivemos por muitos anos e jamais discutimos. Para mim, foi como uma mãe”, relata.

 

A participação na criação dos netos é lembrada com emoção. Sônia conta que, quando os filhos nasceram, trabalhava intensamente em seu salão de beleza, especialmente nos finais de semana. “Ela preparava o almoço, levava meus filhos para a casa dela ou até levava comida para mim no salão. Insistia para que eu parasse o trabalho e me alimentasse. Tenho uma gratidão imensa por tudo o que ela fez pelo Valdir, pelos meus filhos e por mim”, destaca.

 

Mesmo após ficar viúva aos 39 anos, Dona Mathilde manteve-se firme na condução da família, permanecendo sozinha até o fim da vida. Era reconhecida pelo carinho e pela generosidade. O saudoso Valdir Carradore, esposo de Sônia, demonstrava atenção especial: sempre que participavam de alguma festa ou iam a um restaurante, fazia questão de levar até ela um prato com o que havia de melhor, sobretudo após a viuvez, período em que passou a sair raramente.

 

A história de dedicação foi interrompida de forma trágica. Dona Mathilde morreu aos 50 anos, no domingo, 31 de agosto de 1986, vítima de um acidente na Avenida Nossa Senhora da Conceição, atualmente situada no bairro Vila Beatriz, nas proximidades do Comercial Brenda, em Maracajá. Um carro desgovernado, conduzido por uma pessoa embriagada, atingiu-a. O motorista não prestou socorro e fugiu do local.

O acidente provocou forte comoção em Maracajá. Conforme relatado por Sônia Maria Souza Carradore, a tragédia gerou indignação diante da irresponsabilidade e, ao mesmo tempo, profunda solidariedade à família. Décadas depois, Dona Mathilde permanece na memória da comunidade como exemplo de generosidade, amor e dedicação — uma presença que continua viva nas lembranças de todos que com ela conviveram.


Senhor Mário Carradore e senhora Mathilde Pizzollo Carradore no casamento de Valdir Carradore e Sônia Maria Souza Carradore em 9/9/1972








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Lúcio Vânio Moraes - Historiador

Lúcio Vânio Moraes - Historiador

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